Dia Internacional dos Ensaios Clínicos 2022

A APIFARMA e a EUPATI Portugal celebraram o Dia Internacional dos Ensaios Clínicos no dia 20 de Maio com a realização da conferência digital “Ensaios Clínicos: O Envolvimento das Associações na Investigação”. A iniciativa teve início com a intervenção de Constança Roquette, da Fundação Champalimaud e da NOVA School of Business and Economics (NOVA SBE), com o tópico “O Envolvimento de Associações de Doentes em Investigação Clínica – conclusões de questionário na área da Oncologia” onde partilhou os resultados do questionário que aplicou a associações de doentes na área da Oncologia sobre a sua possível participação na ideação, planeamento, condução e disseminação da Investigação Clínica (IC). O questionário permitiu caracterizar o perfil, o contributo e a opinião das diferentes associações através da resposta de 27 Associações de Doentes, das quais apenas um pequeno número (7) teve algum tipo de colaboração em processos de IC; das 20 que não tiveram experiência, 14 delas nunca foram solicitadas para tal e mesmo as que tiveram experiência caracterizaram o seu envolvimento como de baixo nível de participação e influência, entre outros resultados reveladores do trabalho que ainda está por fazer a este nível. Os intervenientes salientaram a necessidade de haver um compromisso de parte a parte, no qual as ADs continuem a investir na educação dos seus associados e a Indústria e os Investigadores comecem a solicitar sistematicamente o envolvimento das ADs tanto em IC como nos estudos observacionais que realizem.

 

O encontro contou também com a realização do círculo de discussão “Como ativar e potenciar o envolvimento das Associações na investigação?”, moderado pela jornalista Marina Caldas, e com a participação de Elsa Mateus, Presidente da EUPATI Portugal e da Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas, Ricardo Fernandes, Director do Grupo de Activistas em Tratamentos (GAT) e Vanessa Ferreira, co-fundadora da rede internacional de investigação CDG & Allies. O representante do GAT, Ricardo Fernandes, reconheceu que existe um trabalho a fazer junto dos reguladores de modo a levantar possíveis obstáculos ao nível da “compliance” à colaboração entre as ADs e os promotores/indústria mas também salientou a pouca preparação e literacia que algumas ADs podem ter ao nível da IC. Deve ser valorizado o input dos doentes, que é o de SEREM DOENTES, não especialistas em ensaios clínicos, mas saberem da sua própria doença que está a ser objecto de estudo. A Vanessa Ferreira partilhou o seu percurso no âmbito das doenças muito raras e onde os ensaios clínicos podem ser oportunidades únicas para a melhoria da qualidade de vida destes doentes. Torna-se prioritário, como AD, identificar as necessidades das famílias como primeiro passo – exemplo da criação de uma linha de investigação – com recursos humanos dedicados e algum nível de profissionalização. Segundo a Vanessa, é muito importante que o que é dito pelos doentes seja de facto integrado no processo de IC e não conste apenas no papel. No caso de doenças orfãs, é importante que a AD consulte a literatura médica e identifique os Key Opinion Leaders nessa indicação e possa identificar as necessidades – exemplo de estudo de qualidade de vida como ferramenta essencial para futuras aprovações regulamentares de novos fármacos que foi criado em parceria de co-criação pela AD e pela Profª Luísa Barros e apresentado no Congresso Mundial. Torna-se essencial mostrar que as ADs sabem como envolver os doentes e que estão preparadas e disponíveis para colaborar e intervir activamente no processo de IC e que o facto das ADs pertencerem a redes europeias potencia a possibilidade de participação e impacto nas prioridades de investigação e desenho dos ensaios. A Presidente da EUPATI Portugal, Elsa Mateus, referiu a necessidade de profissionalização nos ensaios clínicos, nomeadamente dos Coordenadores de Estudo que, actualmente, não têm carreira hospitalar, além de tempo dedicado à IC por parte dos Investigadores. A IC deve ser uma prioridade mas não o é devido à falta de uma estratégia nacional juntamente com os recursos necessários. A IC é feita maioritariamente por “calorice” e pela indústria, pelo que haveria que aumentar a investigação da iniciativa do Investigador e todas as ADs devem estar mais envolvidas neste propósito.
Os intervenientes referiram que têm alguma expectativa relativamente ao papel da AICIB, como entidade agregadora dos diferentes stakeholders, no sentido em que possa actuar como elo de ligação entre os centros de investigação e as ADs.
Ficou no ar a possibilidade de se alargar o questionário que foi dirigido às ADs aos Investigadores/indústria promotora de IC e/ou a todas as ADs e não apenas as da área da Oncologia. Foi igualmente salientada a vontade de se levantarem obstáculos regulamentares ao nível da compliance de modo a facilitar esta colaboração num futuro próximo.

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